O Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (Hemosc) iniciou a aplicação de novos critérios para a doação de sangue em todo o estado. As alterações seguem uma portaria do Ministério da Saúde que atualizou os padrões de segurança e triagem clínica no Brasil com base em evidências científicas recentes. O objetivo é ampliar o acesso à doação sem comprometer a segurança de doadores e receptores, mantendo a obrigatoriedade da avaliação clínica individualizada para cada candidato.
As novas regras reduziram significativamente os prazos de inaptidão para diversos procedimentos. Para quem realizou tatuagens, micropigmentação ou colocação de piercings em locais com alvará sanitário, o tempo de espera caiu de até um ano para apenas sete dias; caso o estabelecimento não possua o documento, o prazo é de quatro meses. Exames como endoscopia e colonoscopia agora exigem quatro meses de intervalo, e o período para doação após cirurgias bariátricas foi reduzido de 12 para 6 meses, condicionado à estabilidade do peso.
A normativa também traz mudanças importantes para pessoas com histórico de doenças. Indivíduos curados de câncer podem voltar a doar após cinco anos do fim do tratamento, com exceção de casos de linfomas e mielomas, que permanecem com inaptidão definitiva. Pessoas com Tireoidite de Hashimoto ou hipertireoidismo (desde que não seja a Doença de Graves) agora são consideradas aptas. O prazo de espera para quem teve tuberculose foi reduzido de cinco para dois anos, enquanto candidatos com rinite podem doar assim que os sintomas desaparecerem.
Santa Catarina já opera sob as novas diretrizes, enquanto as demais unidades de saúde do país têm até o dia 30 de setembro para concluir a transição gradual. As medidas visam equilibrar o estoque de sangue nos hemocentros, considerando que o consumo tem crescido em ritmo superior ao das doações em território nacional.