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Brasileiros gastam com caneta emagrecedora mesmo que não sobre nada no fim do mês

Estudo revela que o uso de canetas emagrecedoras cresce no país, atingindo inclusive famílias que não possuem sobra no orçamento mensal.

willian
Por willian
08/08/2026 às 13:56 Canoinhas, SC
Brasileiros gastam com caneta emagrecedora mesmo que não sobre nada no fim do mês

A popularidade dos medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras (GLP-1) atingiu 76% da população brasileira em 2026, registrando um aumento de seis pontos percentuais em relação ao ano anterior. Dados de um levantamento da Worldpanel by Numerator indicam que cerca de 6 milhões de brasileiros, o equivalente a 2,8% da população, utilizam esses fármacos. O consumo permanece resiliente mesmo em cenários de aperto financeiro, uma vez que um em cada quatro lares brasileiros classificados na categoria onde não sobra orçamento ao fim do mês é usuário do medicamento.

A pressão econômica sobre as famílias aumentou no último período, com o grupo de pessoas em situação financeira restrita saltando de 25% para 33% entre 2025 e 2026. Para viabilizar a compra do GLP-1, aproximadamente 20% dos latino-americanos sacrificam outras áreas do orçamento, reduzindo a aquisição de itens de consumo básico, como:

  • Cereais;
  • Massas instantâneas;
  • Café;
  • Enlatados e salgadinhos.

O estudo aponta ainda um efeito cíclico, no qual a interrupção do tratamento frequentemente resulta no retorno aos hábitos de consumo anteriores, o que leva quase metade dos ex-usuários na América Latina a considerar o retorno ao uso da medicação.

O cenário reflete uma mudança de comportamento na região, onde 38% dos indivíduos se consideram ativos na adoção de práticas de dieta e estilo de vida. Embora haja uma preocupação crescente com o peso corporal (45%) e tratamentos estéticos passem a ser integrados ao conceito de autocuidado e saúde, a autopercepção de bem-estar físico entre os brasileiros apresenta queda constante. O índice de pessoas que avaliam positivamente sua própria condição física recuou de 64% em 2024 para 55% em 2026, evidenciando um contraste entre o aumento dos gastos com saúde e a percepção subjetiva de qualidade de vida.