Uma pesquisa publicada no periódico científico Nature Human Behaviour revela que o ingresso precoce de crianças e adolescentes nas redes sociais está associado a um rendimento acadêmico inferior. O estudo analisou dados de mais de 5 mil estudantes com idades entre 7 e 16 anos, relacionando a idade de criação do primeiro perfil digital ao desempenho em provas padronizadas. No Brasil, os dados de 2022 apontam que 92% dos jovens entre 9 e 17 anos acessam a internet e a grande maioria possui contas em redes sociais, muitas vezes ignorando a classificação indicativa das plataformas.
Os resultados demonstram que alunos que iniciaram o uso dessas redes na 6ª série apresentaram notas mais baixas em matemática e linguagem em comparação aos que ingressaram apenas na 9ª série. Em determinados níveis escolares, essa diferença de rendimento chega a equivaler a um atraso de aproximadamente seis meses de aprendizagem. Por outro lado, as notas de inglês não sofreram o mesmo impacto negativo, o que os pesquisadores atribuem à elevada oferta de conteúdos e interações nesse idioma dentro do ambiente digital.
A queda no desempenho é explicada, em parte, pela distração gerada pela presença constante dos smartphones e o recebimento de notificações em momentos dedicados ao estudo.