A carga tributária sobre veículos zero-quilômetro no Brasil é considerada a maior do mundo, com impostos que representam entre 30,6% e 48,6% do preço final de venda. O índice brasileiro supera com margem ampla os tributos praticados em mercados internacionais, como na Itália (22%), Alemanha (19%), Japão (13%) e Estados Unidos (7%). Na prática, em um veículo de R$ 100 mil, a arrecadação governamental pode abocanhar metade do valor, superando a soma das margens da montadora, da concessionária e de toda a cadeia de fornecedores.
O elevado custo é resultado de um sistema de tributação em cascata, composto pelo Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), ICMS, PIS e Cofins. Como cada tributo é calculado sobre um valor que já inclui o imposto anterior, o efeito final infla o preço acima das alíquotas nominais. Além da questão fiscal, o encarecimento dos automóveis na última década também é atribuído à obrigatoriedade de novos itens de segurança, conectividade e motores mais eficientes, o que elevou o patamar tecnológico dos veículos de entrada.
Além de elevar o preço para o consumidor, especialistas afirmam que esse nível de impostos também afeta a competitividade da indústria automotiva, dificulta investimentos e reduz o acesso da população à compra de veículos novos.