Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificaram uma enzima na raiz da cana-de-açúcar que pode aumentar em até seis vezes a liberação de açúcar do bagaço da planta. A molécula, chamada ASD (α-L-arabinofuranosidase), foi testada em laboratório junto a coquetéis enzimáticos comerciais, utilizados para quebrar a estrutura vegetal e liberar açúcares que podem ser transformados em etanol.
A descoberta é resultado de 17 anos de pesquisas da equipe de pesquisadores, vinculado ao Instituto de Biociências da USP. Os cientistas identificaram a enzima ao estudar como a própria cana modifica as paredes celulares de suas raízes durante a formação de estruturas. Segundo os pesquisadores, é a primeira vez que uma molécula de origem vegetal é apontada com esse potencial para auxiliar na quebra da biomassa da cana.
O resultado pode contribuir para o desenvolvimento de tecnologias mais eficientes na produção de etanol de segunda geração, combustível obtido a partir de resíduos vegetais, como o bagaço. A equipe também identificou cerca de 530 sequências genéticas e classes de enzimas na planta, que ainda poderão ser estudadas. Segundo os pesquisadores, entre os objetivos futuros está a criação de um coquetel enzimático totalmente vegetal, adaptado à composição da cana-de-açúcar, para melhorar o aproveitamento dos resíduos e aumentar o rendimento na produção de biocombustíveis.
Fonte: Agência Fapesp, via Canal Rural