Um artigo publicado no The Conversation revelou as razões pelas quais lembranças traumáticas surgem na mente em pedaços, e não como uma história contínua. A descoberta ganha relevância diante de um dado impressionante da Organização Mundial da Saúde (OMS): cerca de 70% das pessoas no mundo afirmam ter enfrentado pelo menos um evento traumático ao longo da vida, uma experiência forte o suficiente para mudar a forma como o cérebro guarda e processa as informações.
Além de explicar a falha na formação da memória, o estudo reforça que reações comuns durante um perigo — como paralisar completamente ou agir com uma calma aparente — não são escolhas do indivíduo, mas sim respostas instintivas de sobrevivência.
A explicação para esse fenômeno está no funcionamento do nosso sistema nervoso sob estresse extremo. Nessas situações, a amígdala — área responsável por detectar ameaças — entra em hiperatividade, enquanto o hipocampo — região que organiza os fatos e as memórias — fica sobrecarregado. Como resultado dessa alteração biológica, o cérebro deixa de gravar a experiência em uma sequência lógica, registrando-a em flashes de imagens, cheiros e sensações físicas desconexas.
Além de explicar a falha na formação da memória, o estudo reforça que reações comuns durante um perigo — como paralisar completamente ou agir com uma calma aparente — não são escolhas do indivíduo, mas sim respostas instintivas de sobrevivência.