O consumo elevado de açúcar entre crianças e adolescentes acende um alerta na área da saúde devido aos impactos no organismo e na cavidade oral. A Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta que a ingestão diária não ultrapasse 50 gramas por pessoa, o que equivale a cerca de 18 quilos anuais. No Brasil, o índice médio alcança 30 quilos por pessoa ao ano. Diretrizes da Associação Americana do Coração indicam que a faixa etária de 2 a 18 anos deve limitar o açúcar adicionado a no máximo 25 gramas ou 100 calorias por dia, o equivalente a seis colheres de chá, enquanto menores de dois anos não devem consumir substâncias com adição de açúcar.
A presença do ingrediente em produtos industrializados, que incluem desde bebidas e doces até itens salgados como pães e molhos prontos, gera alterações nas taxas de glicose e na liberação de insulina. Esse mecanismo favorece o acúmulo de gordura corporal, eleva o risco de obesidade, hipertensão e elevação de colesterol, além de contribuir para a incidência de diabetes tipo 2 no público infantojuvenil. Na saúde bucal, o excesso está diretamente associado ao surgimento de cáries por desmineralização do esmalte dentário e ao desenvolvimento de problemas na gengiva decorrentes de processos inflamatórios.
A prevenção de complicações metabólicas envolve a manutenção de um padrão alimentar com redução de ultraprocessados, controle do peso e a inclusão de exercícios físicos por pelo menos uma hora diária, três vezes na semana. Diante de sinais como cansaço extremo, aumento na ingestão de água, perda de peso e alteração na frequência urinária, a orientação técnica envolve a avaliação por profissionais especializados, como endocrinologistas pediátricos e nutricionistas, além do acompanhamento com a odontopediatria.