Até 10% da população mundial pode apresentar ao menos uma convulsão ao longo da vida, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Diante de uma situação como essa, o primeiro passo é manter a calma e afastar o perigo. É preciso deitar a pessoa no chão, mantê-la longe de móveis e objetos cortantes, e proteger a cabeça com algo macio, como uma jaqueta dobrada, almofada ou travesseiro. Também é importante afrouxar roupas apertadas na região do pescoço, retirar óculos ou relógios e marcar o tempo de duração da crise.
O que NÃO fazer durante o socorro
Um dos maiores e mais perigosos mitos é tentar colocar a mão ou objetos na boca da vítima. Ao contrário do que muitos pensam, ninguém engole a própria língua durante uma crise, e a força da mandíbula é tão intensa que o socorrista pode sofrer ferimentos graves ou quebrar os dentes da vítima. Além disso, jamais se deve tentar imobilizar os braços e pernas à força, pois os movimentos bruscos podem causar fraturas ou lesões musculares. Oferecer água ou remédios também é proibido, já que a pessoa está sem consciência e corre sério risco de aspiração.
Cuidados após a crise e quando procurar ajuda
Assim que os movimentos convulsivos pararem, a orientação fundamental é virar a pessoa de lado, adotando a chamada posição lateral de segurança. Essa medida impede que a saliva ou o vômito bloqueiem a respiração e evita engasgos. É preciso ficar junto da vítima até que ela recupere a clareza e desperte completamente do estado de confusão pós-ictal (período de sonolência, dor de cabeça e confusão mental que ocorre logo após o término de uma crise convulsiva). O serviço de emergência (SAMU 192) deve ser acionado imediatamente se a crise durar mais de cinco minutos, se ocorrer um segundo episódio sem que a pessoa recupere a consciência, se for o primeiro episódio na vida da vítima, ou se houver ferimentos graves e dificuldade para respirar.