O Brasil contabilizou 34,5 bilhões de tentativas de golpes digitais entre março de 2025 e fevereiro de 2026, de acordo com o relatório "O Estado dos Golpes no Brasil 2026", elaborado pela Global Anti-Scam Alliance (GASA). O estudo estima que aproximadamente 16,5 milhões de brasileiros sofreram perdas financeiras no período, resultando em um prejuízo total de R$ 21,2 bilhões. Em média, cada vítima perdeu R$ 1.287, sendo que em 42% dos casos o dinheiro foi subtraído em questões de minutos ou poucas horas após o contato inicial.
Os canais de comunicação direta, como telefone e aplicativos de mensagens, são os meios preferenciais dos criminosos, concentrando 71% das ocorrências. O WhatsApp é a plataforma mais utilizada, mencionada por 64% das vítimas, seguida pelo Gmail (32%) e Instagram (22%). As modalidades de fraude mais recorrentes envolvem:
- Compras on-line (22%);
- Promessas de dinheiro inesperado (17%);
- Falsas vagas de emprego (17%).
O levantamento destaca um cenário de vulnerabilidade recorrente, onde 34% das vítimas sofreram golpes mais de uma vez no último ano. Além do impacto financeiro, 76% dos entrevistados relataram consequências negativas para o bem-estar emocional. A dificuldade em reconhecer as armadilhas é um fator crítico, já que 41% dos brasileiros afirmam não ter confiança na própria capacidade de identificar uma fraude, e 40% das vítimas só percebem o dano após serem alertadas por terceiros ou instituições.
Apesar do volume de crimes, a subnotificação permanece elevada, com 19% das vítimas brasileiras deixando de registrar queixa na polícia por motivos como descrença na investigação ou complexidade do processo. No ranking de eficiência das instituições, bancos e a polícia são os mais bem avaliados pelos cidadãos na resposta aos crimes, enquanto as operadoras de telecomunicações são vistas como as menos eficazes. Atualmente, apenas 20% das pessoas lesadas conseguem recuperar total ou parcialmente os valores perdidos.