Dados revelam que um em cada cinco jovens no mundo inicia apostas digitais até os 11 anos, índice que atinge 78% a partir dos 12 anos, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância. No Brasil, levantamento da Frente Parlamentar Mista de Educação aponta que um em cada cinco estudantes dos ensinos fundamental e médio já apostou em plataformas digitais, sendo que 9,5% realizaram o primeiro palpite aos 11 anos. Diante dessa realidade, grupos de apoio como os Jogadores Anônimos passaram a receber cada vez mais pessoas entre 15 e 35 anos que enfrentam problemas causados pela facilidade do acesso a jogos de azar no celular.
Especialistas em psicologia explicam que o cérebro dos jovens é mais vulnerável porque as áreas responsáveis pelo controle de impulsos e avaliação de riscos só amadurecem por volta dos vinte anos, enquanto o sistema ligado ao prazer e à dopamina funciona em ritmo acelerado. Além disso, estudos mostram que produtores de conteúdo em redes sociais exploram essa falta de maturidade financeira para atrair o público infantojuvenil. As plataformas digitais e os jogos eletrônicos compartilham mecânicas semelhantes de recompensas imprevisíveis para reter a atenção, com o agravante de que as apostas trazem riscos financeiros imediatos.
A Organização Mundial da Saúde classifica tanto o transtorno do jogo quanto o transtorno de jogos eletrônicos na lista internacional de doenças como dependências comportamentais. Psiquiatras alertam que a atividade recreativa vira um distúrbio de saúde quando substitui momentos de trabalho, estudo e convivência com a família. As perdas causadas por essa dependência podem provocar alterações no sono, falta de atividade física, isolamento social, crises de ansiedade, quadros de depressão e pensamentos suicidas.