Escola de Canoinhas deixa de ofertar ensino integral por falta de adesão de alunos

Cinco escolas catarinenses desistiram de abrir novas turmas do ensino médio integral em tempo integral (Emiti) no próximo ano letivo. A principal justificativa é a não adesão de pais e alunos, que estariam mais dispostos a ingressar no mercado de trabalho ou no ensino profissionalizante.
A falta de estrutura e materiais – os kits tecnológicos estão chegando nas escolas, após dois anos do início do programa – também impacta na não continuidade. No total, 29 escolas seguem oferecendo novas turmas dentro do programa no Estado.
Os casos mais críticos de ruptura são os das escolas Presidente Médici, em Joinville, e Júlia Baleoli Zaniolo, em Canoinhas. Essas unidades não vão mais ofertar a modalidade para nenhuma série em 2019.
Em Canoinhas, a escola Júlia Baleoli Zaniolo também não vai mais ofertar. A diretora da unidade, Sônia Maria Grosskopf, diz que decisão foi da comunidade escolar, já que havia preferência dos alunos por para fazer cursos técnicos no contraturno ou trabalhar, o que era impossível com ensino em tempo integral.
— Infelizmente, nossa realidade escolar não condiz com essa carga horária bem puxada — resume.
A diretora acrescenta que demoraram muito a receber os materiais. O Emiti foi implementado neste ano e só em novembro chegaram os computadores, lousas digitais e televisão. Além disso, trabalham só com o mínimo de internet, o que “dificulta bastante”.
Dificuldades para a continuação do programa
A diretora de Gestão da Rede Estadual da Secretaria de Educação de SC, Marilene Pacheco, confirma que a cultura do Estado, de começar a trabalhar cedo e ajudar os pais, dificulta a continuidade do programa, principalmente a partir do segundo ano, quando estudantes já estão mais velhos. Sobre a demora na entrega de móveis, materiais tecnológicos e para laboratórios, Marilene diz que o processo licitatório é moroso e admite que foi uma dificuldade, mas não acredita que seja o principal fator:
— A estrutura contribui, mas não é a única questão que dificulta de dar certo. A não continuidade está mais no trabalho do jovem e perfil do professor para atuar no programa. Quando o gestor da escola ou os professores não abraçam o programa a gente encontra bastante dificuldade de continuidade.
O gerente de projetos do Instituto Ayrton Senna, Helton Lima, lembra que as escolas, ao deixarem o programa, têm o processo chamado de terminalidade, que prevê que alunos que iniciam o ensino médio nesta matriz de tempo integral devem seguir nele até o terceiro ano. Em caso de não fechar turmas, devem ser encaminhados a outras escolas do município.
— A dificuldade dos alunos nesta idade de continuarem numa escola em tempo integral é um desafio para o país. Estamos falando de escolas públicas, de estudantes que têm a necessidade de trabalhar, ter sua renda.
Mas Lima acredita que a tendência é solidificar essa cultura do ensino integral:
— Numa escola como essa, ele pode adquirir, vivenciar, uma série de situações pedagógicas e desenvolver uma série de competências que no futuro, no mercado de trabalho, vai potencializá-lo a assumir postos mais valorizados.
Escolas optam por seguir formação
Outras três escolas no Estado oferecerão apenas a continuidade do programa aos alunos que já estavam cursando o Emiti. No caso da Flordoardo Cabral, em Lages, a direção ainda tem expectativa de receber matrículas em fevereiro, entre os dias 4 e 7, para o primeiro ano e, então, abrir novas turmas. A assessora de direção, Nelci Maria Rodrigues, conta que espalharam panfletos nas escolas vizinhas para atrair alunos, mas até agora só apareceram seis interessados no primeiro ano. No segundo, são 35 alunos matriculados.
— É um programa muito bom e, por isso, a gente está aguardando. Se tiver interessados vamos manter.
Ela conta que até a semana passada ainda não havia chegado os equipamentos tecnológicos e os materiais dos laboratórios, o que também contribui para “o descontentamento dos alunos”, mas o principal é a falta de demanda.
Escola Dom Jaime monta turmas
Na escola Dom Jaime de Barros Câmara, em Florianópolis, serão montadas turmas de segundo e terceiro ano. Após a decisão em assembleia, a comunidade escolar decidiu que só vai oferecer turmas do ensino médio regular no primeiro ano. A diretora da escola, Rosimere Espíndola da Silva, conta que são apenas três turmas com 10 alunos no segundo ano, o que deve resultar em uma turma de terceiro ano em 2019. E ainda teme perder mais alunos até o início do ano letivo.
— Mesmo sabendo que pedagogicamente o programa é bom, infelizmente acabou terminando. A gente perdeu muitos alunos neste ano, eles se queixam muito em função da carga horária, é muita extensa.
Na EEB Nereu Ramos, em Santo Amaro da Imperatriz, após dois anos de implementação do programa, foi decidido pela não continuidade, principalmente pela cultura do trabalho.
— Eles têm muita oferta para serem estagiários na prefeitura e dos fóruns, esse é o principal motivo. Mas se tivesse infraestrutura melhor, talvez fosse mais atrativo. Ficamos bem tristes, nos sentimos derrotadas por não conseguir manter — diz a diretora da unidade, Ana Maria Benvenutti.
Cerca de 100 alunos devem permanecer no programa na escola em 2019. A SED informa que os kits tecnológicos, com lousas, projetores e computadores, assim como materiais esportivos, mobiliário e equipamentos de laboratório estão sendo distribuídos para as escolas. No total, 80 unidades da rede estadual receberão até o começo do ano letivo, sendo que as do Emiti têm prioridade.
Escolas com ensino médio em tempo integral em 2019 em SC
Novas adesões
EEB Bernardino Sena Campos, Araranguá
Eeb Profº Ary Mascarenhas Passos, Itajaí
EEB Pref Leopoldo José Guerreiro, Bombinhas
EEB Pe Antônio Vieira, Ipuaçu
Já estavam no programa
EEB Machado de Assis, Timbó Grande
EEB Orlando Bertoli, Presidente Getúlio
EEB Almirante Barroso, Canoinhas
EEB Benjamim Carvalho de Oliveira, Ipumirim
EEB Elfrida Cristino Da Silva, Itajaí
EEB Nereu Ramos, Itajaí
EEB Maria Rita Flor, Bombinhas
EEB Casimiro de Abreu, Curitibanos
EEB Dr.Max Tavares D’ Amaral, Blumenau
EEB Osvaldo Cruz, Rodeio
EEB Attela Jenichem, Indaial
EEB Toneza Cascaes, Orleans
EEB Caetano Bez Batti, Urussanga
EEB Visconde de Cairu, Lages
EEM Valmir Omarques Nunes, Bom Retiro
EEB Coronel Ernesto Bertaso, Chapecó
EEB Cordilheira Alta, Cordilheira Alta
EEB Mater Dolorum, Capinzal
EEB Ruth Labarbechon, Água Doce
EEB Prof Heleodoro Borges, Jaraguá Do Sul
EEB Holando Marcelino Gonçalves, Jaraguá do Sul
EEB Gomes Carneiro, Xaxim
EEB Gov Ivo Silveira, Palhoça
EEB São Vicente, Itapiranga
EEB Eng Annes Gualberto, Joinville
Apenas continuam a formação (sem novas turmas)
EEB Flordoardo Cabral, Lages (só segundo ano, se tiver interessados abre primeiro)
EEB Dom Jaime De Barros Câmara, Florianópolis (só segundo e terceiro ano)
EEB Nereu Ramos, Santo Amaro da Imperatriz (só segundo e terceiro ano)
Não vão mais ofertar
EEB Presidente Médici, Joinville
EEB Júlia Baleoli Zaniolo, Canoinhas