Santa Catarina consolidou a liderança brasileira na área de transplantes ao alcançar a marca de 45 doadores efetivos por milhão de habitantes, taxa superior ao dobro da média nacional, fixada em 20,3. O índice de recusa de famílias para a doação de órgãos caiu para 31% no acumulado até agosto, número significativamente menor do que os 70% registrados em 2007 e abaixo da média do país, que permanece em 45%. Ao longo das últimas duas décadas, o estado figurou no topo do ranking brasileiro durante 15 anos, ocupando o segundo lugar nos demais períodos avaliados.
A estrutura de atendimento conta com uma equipe central de 30 profissionais técnicos e mais de 300 coordenadores, médicos e enfermeiros atuando em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) espalhadas por 73 hospitais doadores em regime contínuo. As cirurgias são concentradas em polos especializados situados em Florianópolis, São José, Blumenau, Joinville, Itajaí, Criciúma e Chapecó. A logística utiliza aeronaves públicas para agilizar o transporte dos órgãos até os centros cirúrgicos receptores.
O modelo adotado prioriza o treinamento das equipes hospitalares para identificar potenciais doadores precocemente e orientar familiares com acolhimento técnico no momento da constatação de morte encefálica. A área também conta com amparo da legislação estadual, a exemplo da Lei nº 14.930/2009, voltada à conscientização nas escolas, e da Lei nº 19.250/2025, que concede atendimento preferencial para doadores de órgãos e sangue em estabelecimentos e eventos públicos.