A Receita Federal registrou um crescimento exponencial nas apreensões de medicamentos emagrecedores, como a semaglutida e a tirzepatida, na fronteira entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este. Somente no primeiro semestre de 2026, foram interceptadas 76.112 unidades, valor que supera as 24.994 apreensões realizadas durante todo o ano de 2025. O montante financeiro das capturas nos primeiros seis meses deste ano já ultrapassa R$ 19,5 milhões, consolidando esses fármacos como o segundo item de maior valor em apreensões na região, atrás apenas de telefones celulares.
O mercado ilegal é impulsionado pela disparidade de preços e pela ausência de exigência de receita médica no Paraguai. Enquanto uma ampola de tirzepatida custa em média R$ 340 no país vizinho, o medicamento regularizado no Brasil tem valores que partem de R$ 1.400. Além do fator econômico, as marcas comercializadas no Paraguai não possuem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A fiscalização aponta que a alta demanda é alimentada pela publicidade em redes sociais, que muitas vezes oferece orientações sobre como realizar o transporte irregular dos produtos entre os países.
Para tentar burlar a fiscalização na Ponte da Amizade, os transportadores utilizam métodos que comprometem a integridade dos medicamentos, como o armazenamento em frascos de shampoo, solados de tênis e compartimentos de veículos, negligenciando a refrigeração necessária. O aumento do interesse por essas substâncias é refletido também no ambiente digital, onde os pedidos online por fármacos associados ao GLP-1 cresceram 149,3% no primeiro semestre de 2026. As autoridades alertam que o contrabando de medicamentos sem registro sanitário é um crime contra a saúde pública, com penas previstas de 10 a 15 anos de reclusão, além de multa.